Quando tudo está à disposição do Educativo

Este é um resumo do ótimo post veiculado em novembro de 2015 pelo Incluseum, aqui resumido e publicado com a devida autorização do blog. Ele compartilha as informações de Rachel Erickson, uma canadense imigrada para a Escócia que trabalha como Assistente de Extensão no Open Museum. Rachel fala sobre o modelo usado pela instituição e também sobre alguns dos projetos com os quais o museu vinha trabalhando à época da redação do artigo. Para ler a íntegra do texto, visite: Incluseum.

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O Open Museum, em Glasgow, Escócia, é parte do Glasgow Museums, uma instituição pública de grande porte, com uma equipe de 293 pessoas em um total de 9 museus. Tem por finalidade de conectar as coleções e o público da região de Glasgow e, para este fim, cria exposições itinerantes, kits educativos e vai mais além, desenvolvendo mostras com e para grupos específicos locais. As ações dão ênfase, principalmente, àqueles que não podem, não querem ou simplesmente não visitam as instalações de um museu.

Diz o website do Open Museum: ‘Você (um grupo da comunidade) decide sobre o que é a exposição, o que entra nela e o que você quer dizer. Nós providenciamos apoio e orientação durante todo o tempo!’.

O Open Museum tem autonomia com relação ao resto da organização, o que lhe permite executar projetos de forma eficiente, flexível e responsiva. É, essencialmente, um museu dentro de um museu – tem seus próprios curadores e assistentes, técnicos, designers gráficos e conservadores. A grande maioria de seus projetos e exposições são gerados colaborativamente com várias instituições do entorno da cidade, incluindo hospitais, prisões, casas de custódia (“care homes”) etc.

Suas exposições itinerantes circulam em bibliotecas, centros comunitários, shopping centers e outros espaços comunitários, e é comum desenvolverem exposições específicas para um dado espaço tais como os ‘muros de memória’, usados para engajar pacientes com demência nos hospitais locais. Também constroem ‘kits de manejo” – caixas portáteis consistindo de objetos reais, inventariados, disponíveis para empréstimo a grupos de comunidades que operam dentro dos limites de Glasgow.

O Open Museum tem acesso à totalidade das coleções dos Glasgow Museums (mais de 1 milhão de objetos) para desenvolver seus kits e mostras itinerantes. Em teoria, nenhuma peça do acervo está “fora dos limites”. Os objetos são selecionados de forma contextualizada e levando sempre em conta sua preservação. A filosofia do Glasgow Museum é de que o acervo pertence ao povo de Glasgow e que, portanto, é ‘dever do museu garantir-lhe o acesso, seja por meio de exposições, sessões de manuseio, eventos pop-up etc.

A equipe do Open Museum também trabalha com projetos de longo e curto prazos, seja em resposta a solicitações específicas de grupos comunitários, ou em resposta a um tema atual como a crise migratória europeia, ou como o evelhecimento da população e a demência no Reino Unido. No momento da redação deste artigo, por exemplo, estavam trabalhando em um projeto sobre migração que começou como um projeto de kit de manuseio, baseado na ideia de ‘Glasgow como casa’ e o que significa viver na cidade pela primeira vez, focando nos últimos 25 anos de migração para a cidade (para coincidir com o aniversário dos 25 anos do Open Museum como um departamento). Apesar de ter começado com a ideia de um kit, o projeto derrapou à medida em que se percebeu que havia muito pouco, no acervo, que refletisse a diversidade das comunidades que fixaram residência na cidade desde a Segunda Guerra Mundial. Considerando que muitos migrantes recentes chegam com quase nenhum objeto pessoal, a equipe decidiu focar em uma coleção de história oral, contratando um ilustrador local para trabalhar com os participantes e assim ‘traduzir’ suas histórias de vida. A equipe procurou pensar criativamente sobre o colecionismo do contemporâneo: para além de incorporar essas histórias ao sistema existente, procurou  envolver as pessoas no processo, desafiando os meios tradicionais de coleta e redefinindo o que significa um ‘objeto museal’.

Desenvolver projetos como este acaba por suscitar debates e apontar dificuldades dentro da própria instituição museal. A equipe se perguntava: como podemos – enquanto equipe de programas de extensão – trabalhar em parceria com os curadores e os profissionais do acervo? Como integrar as vozes e a expertise de nossos parceiros da comunidade nas narrativas ‘oficiais’ do museu?

Para responder a essas e outras perguntas, o Open Museum ajudou a criar um ‘forum de migração’ – um grupo de trabalho composto por colegas dos Glasgow Museums e parceiros externos, tais como a Universidade de Glasgow, um centro de day care local para muçulmanos, o Conselho Escocês para Refigiados e artistas freelancers locais interessados no tema da migração. [Na época em que este artigo foi escrito], o grupo estava esperançoso de que esse fórum os ajudasse a encontrar caminhos para responder a esse tema tão atual, ao mesmo tempo, capacitando-se a navegar melhor pelos processos em curso em suas próprias organizações.

‘Quando começamos este projeto, a migração era um tema quente – frequentemente refletido pela mídia e no debate político , sobretudo durante as eleições no Reino Unido e o Referendo Escocês de 2014. A partir de então, no entanto, o assunto tornou-se parte da conversa diária – raramente se passa um dia em que notícias sobre a crise migratória não esteja nas manchetes. Mesmo assim, como serviço de museu que somos, nós nos separamos desses grandes eventos em termos de aquisições de acervo, programação para o público e diálogo generalizado.

Enquanto que o projeto de migração sublinhou algumas das limitações do Open Museum tal como ele é hoje, ele também nos encorajou a desafiar o papel social dos serviços de museu como um todo. Agora, estamos conversando com várias pessoas da equipe, empolgadas com a possibilidade de desenvolver um trabalho mais responsivo. E estamos encontrando novas formas de colaboração com parceiros internos e externos, comprometendo-nos com a ‘inclusão’ dentro de nossa própria organização.

Terminado o texto publicado pelo Incluseum, faço algumas perguntas a você, leitor, caso seja um profissional trabalhando em museu. Pode responder nos comentários:

  • Você acha que é imprescindível aos museus desempenhar um papel social ativo junto às comunidades que o cercam? Já conversou com colegas de outros departamentos do seu museu para saber a opinião deles?
  • O estilo de gestão de seu museu dá (ou daria) liberdade a departamentos como o Departamento Educativo de realizar projetos semelhantes?
  • Você desenvolve – ou gostaria de desenvolver – um projeto semelhante em seu museu, no qual as práticas atuais fossem postas – proativamente – em xeque? Por que sim? Por que não?
  • Vários museus no exterior permitem o manuseio de peças originais do acervo como parte de seus programas educativos e de extensão. No Brasil, isso ocorre pouco em função das preocupações quanto à preservação das coleções. Qual a sua opinião sobre isso?
  • Proponha outras perguntas e converse internamente com os colegas. A pausa para o café pode ficar interessantíssima!
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