Sobre a abertura para eventos da Casa da Marquesa de Santos: resposta da SEC

Há alguns dias comentei no Facebook sobre uma notícia que saiu no jornal O GLOBO, coluna Gente Boa, e que parecia indicar uma decisão muito equivocada sobre o futuro da Casa da Marquesa de Santos, lindo palacete que foi presente de D. Pedro I à sua amante, Domitila de Castro Canto e Melo, e que se encontra fechado há alguns anos para obras de restauração. A nota do Globo dizia:

nota-casa-marquesa

Pensei em contatar o atual diretor da Casa para uma rápida entrevista mas, logo após a postagem acima, recebi via FB uma gentil mensagem de Clóvis Saint-Clair, assessor-chefe de Comunicação Social da Secretaria de Estado de Cultura, com a íntegra da resposta da SEC enviada ao GLOBO. Segue abaixo, para informação geral (o grifo é meu; e adiciono duas notinhas ao final desta página):

Em virtude da repercussão de nota publicada no jornal “O Globo”, na última segunda-feira, a Secretaria de Estado de Cultura vem esclarecer que o Museu da Moda “não subiu no telhado”, como afirmou a coluna “Gente Boa”. A equipe da Casa da Marquesa vem desenvolvendo importantes ações no que tange a conservação do acervo:

• higienização e acondicionamento da Coleção Alceu Pena;

• catalogação da Coleção Leon Levy;

• busca de alternativas para apresentar esses acervos ao público em geral, por meio do Sistema de Gerenciamento de Acervos Museológicos (SISGAM) e de parcerias com outros projetos que versam sobre moda;

• manutenção do aplicativo Casa da Marquesa São Cristóvão Cultural, que oferece aos interessados no museu informações sobre o acervo, o prédio, antigos moradores da Casa e fotos das salas, disponibilizado gratuitamente no Google Play e na Apple Store.

Em relação à restauração da Casa é importante ressaltar que já foram realizadas importantes intervenções desde 2013, tais como:

• Restauração artística da Sala Flora (paredes, forros e pisos);

• Diagnóstico do sistema construtivo da Casa; • Restauração pontual dos barrotes de piso e dos forros de estuque;

• Recuperação total da cobertura e parcial da claraboia; • Restauração das fachadas (excluída a pintura geral) e das esquadrias externas;

• Obras de instalações elétricas emergenciais.

Os recursos disponibilizados para essas ações foram de R$ 6.990.741,90. Também convém lembrar que o projeto executivo e complementares de restauração da Casa da Marquesa, construção dos dois anexos e o paisagismo da casa foram licitados pelo estado.

O projeto básico já se encontra pronto. No entanto, os recursos que seriam utilizados para finalizar o projeto executivo, cerca de R$ 500 mil, foram arrestados. Nesse momento, a Secretária de Cultura, a Superintendência de Museus e a Direção da Casa da Marquesa não vêm medindo esforços para resolver essa questão e finalizar o projeto.Etapa fundamental para o início das obras. Cabe enfatizar ainda que, após o término dessa etapa, os investimentos para viabilizar o Museu são de R$ 27 milhões.

A Secretária de Cultura, a SMU e Direção da Casa da Marquesa também vêm buscando parcerias no setor público e privado para viabilizar o Museu, que já nascerá como uma referencia para o estado e para o país. Mesmo diante das dificuldades financeiras do Governo do Rio e das adversidades para se obter recursos e financiar as obras nesse difícil momento por que passa o estado e o país, a equipe do Museu da Moda Brasileira decidiu não esperar a abertura do museu para dar vida e ocupar a Casa da Marquesa de Santos. Por isso, a nova direção e a Superintendência de Museus do Estado resolveram realizar projetos de ocupação da Casa por meio de eventos ligados à moda, construindo um espaço de interação e experiências relacionadas a esse universo, como é o caso de “O Cluster”, citado na referida nota. Cabe lembrar ainda que a parceria com o evento se relaciona com todos os eixos temáticos pensados para o Museu em funcionamento, tais como:

• Criação – inovação e apoio a novos talentos;

• Formação – qualificação técnica e artística;

• Empreendedorismo – apoio a novos negócios;

• Institucionalização – apoio técnico e institucional e criação de canais de representação;

• Pesquisa – informação e produção do conhecimento;

• Inclusão Social – geração de benefícios sociais;

• Intervenção Urbana – polo de inovação e revitalização de área degradada.

Nesse, sentido entendemos que a ocupação responsável da Casa e o uso para eventos pontuais correlacionados à temática da moda, podem, de pronto, servir mais à sociedade do que um imóvel fechado. Essas ocupações são importantes para dar movimento à Casa e promover a marca do Museu da Moda Brasileira. O Cluster é um projeto multicultural que reúne jovens que movimentam o setor da economia criativa em áreas como moda, design, artes plásticas, música e gastronomia. Em quatro anos, já foram realizadas 20 edições, com a missão de estimular a ocupação criativa da cidade.

Quando fizemos o convite de ocupação da casa, fizemos no intuito de construir um espaço que seja capaz de abrigar interesses da sociedade e não somente do governo. Para essa primeira ocupação, foram pensadas as áreas externas e cinco salas do primeiro pavimento que não têm afrescos. Nenhuma área do segundo pavimento será utilizada, assim como não haverá ocupação no hall de entrada. O IPHAN acompanha de perto esse projeto em virtude do tombamento federal (o bem não possui tombamento estadual).

As contrapartidas para realização do evento por parte de “O Cluster” foram a manutenção do jardim, a limpeza de determinadas áreas e a retirada de entulho. Também foram disponibilizadas gratuitamente como contrapartida vagas para que jovens produtores de moda do interior do estado tenham a oportunidade de apresentar suas criações durante o evento. A Superintendência de Museus e a Direção da Casa da Marquesa entraram em contato com as principais instituições de ensino do interior para formar uma parceria custeando o transporte e a hospedagem desses jovens.

Isto posto, informamos que essa não é uma ocupação aleatória nem sem objetivo. Não é nossa vontade transformar o museu numa casa de festas, como algumas pessoas interpretaram. É a vontade de dar vida a uma casa que é pública e se encontra fechada há mais de seis anos, utilizando-a para uma finalidade cultural, convergente com os objetivos do museu. No dia 20 de novembro, queremos mostrar que é possível encontrar alternativas às adversidades e construir um novo cenário com parceiros da iniciativa privada. Tudo isso está sendo feito com esse objetivo final, que é a preservação e a manutenção da Casa da Marquesa de Santos, bem como a viabilização do futuro Museu da Moda.

Secretaria de Estado de Cultura

Meus adendos:

  • Fico contente que o app São Cristóvão Cultural, projeto meu executado por uma ótima equipe em 2015, esteja listado entre as ações destacadas pela SEC.
  • Se você quiser saber mais sobre o tórrido e folhetinesco romance do imperador português com a paulista Domitila, recomendo os livros “Titília e o Demonão” e “Domitila – A verdadeira história da marquesa de Santos”, ambos de Paulo Rezzutti.
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