Biblioteca Nacional, IMS, Pinacoteca e Itaú Cultural criam portal dedicado à iconografia brasiliana

Plataforma na internet será lançada em março de 2017 e terá mais de 2 mil imagens e análises de obras fundamentais da iconografia brasileira para consulta

A Biblioteca Nacional, o Instituto Moreira Salles, a Pinacoteca do Estado de São Paulo e o Itaú Cultural assinaram nesta segunda-feira, dia 2 de maio, às 11h, na Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, o convênio para a criação do site brasilianaiconografica.art.br. O portal será o primeiro da internet a reunir as principais coleções brasilianas do país e a disponibilizar seu conteúdo e informações sobre a iconografia para o público. O lançamento da plataforma está previsto para março de 2017, e inicialmente contará com duas mil obras.

De interesse para um amplo espectro de visitantes, do curioso ao pesquisador, o conteúdo debrasilianaiconografica.art.br não só dará acesso às imagens em alta definição de cada coleção, como também trará informações detalhadas sobre as obras: origem, temas, histórias e ampla ficha catalográfica. Os trabalhos de cada autor serão lincados, ainda, aos respectivos verbetes dos sites das instituições envolvidas, inclusive da Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais.

O ineditismo desta iniciativa público-privada tem como objetivo ampliar a democratização do acesso às coleções, aprofundar a transparência dos acervos e reafirmar a garantia da perenidade das obras por meio do universo digital. O projeto também vai aumentar o intercâmbio entre as instituições e aprimorar os processos de catalogação destes acervos históricos.

Inicialmente com 2 mil obras das quatro instituições, o site será periodicamente ampliado com novas imagens. A ideia é que outras coleções e instituições possam participar e também disponibilizar seus acervos.

Assim, o público encontrará no ambiente digital algumas peças fundamentais da iconografia brasileira, produzidas desde a chegada dos artistas viajantes ao país no século XVI.

Destaques

Francois-Auguste BiardÍndios da Amazônia adorando o Deus-Sol; de François Biard, Vues du Brésil, um papel de parede de 15 metros baseado em gravuras de Johann Moritz Rugendas, e um conjunto de desenhos em nanquim de Karl von Planitz para o álbum 12 vistas do Rio de Janeiro estão entre os itens do acervo da Pinacoteca que serão disponibilizados para consulta virtual. A BN coloca no site, inicialmente, álbuns de desenhos originais que ilustraram obras publicadas no século XIX, peças de artistas como Michelerie e Franz Keller, dois conjuntos de desenhos sem autores determinados – o primeiro de artistas ingleses e outro vendido à Biblioteca como sendo de um médico a bordo da fragata Áustria – e um volume de Voyage pittoresque, de Jean Baptiste Debret. Do acervo do Instituto Moreira Salles, vale citar a litografia e aquarela sobre papelPanorama do Recife – PE (c. 1855), de Friedrich Hagedorn, o conjunto de aquarelas elaboradas por Charles Landseer que formam o Highcliffe Album entre 1825 e 1826, e o álbum de Franz Joseph Frühbeck realizado quando viajou ao Brasil junto a Missão austríaca em 1817.

O Itaú Cultural, que abriga no seu 4º e 5º andares o Espaço Olavo Setubal, aberto ao público, com 1,3 mil obras entre os destaques das coleções de Brasiliana e de Numismática – um recorte dos cerca de 10 mil itens reunidos somente nestes dois conjuntos do acervo –, contribui, entre outras, com Panorama da cidade de São Paulo, do francês Armand Julien Pallière, pintado por encomenda do imperador d. Pedro I, e Vista panorâmica da baía de Belém do Pará, obra pintada em 1870 por Joseph Léon Righini. Esta peça fundamental da iconografia amazônica foi recentemente trazida de volta ao Brasil, após mais de um século esquecida em coleções particulares francesas.

Sobre o acervo da Biblioteca Nacional

Na Biblioteca Nacional, a Coleção Brasiliana é formada por um conjunto de múltiplas coleções que integram o seu acervo, tendo em comum serem livros sobre o Brasil no todo ou em parte, impressos ou gravados desde o século XVI até 1900, e livros de autores brasileiros impressos ou gravados no exterior até 1808.

Para cumprir sua missão estatutária, de salvaguarda da memória bibliográfica nacional, a BN somou ao conceito de “brasiliana” o de “brasiliense”, formado por livros impressos no Brasil, de 1808 até a atualidade, que tenham valor bibliofílico: edições da tipografia régia, primeiras edições por unidades federativas, edições príncipes, primitivas ou originais e edições em vida – literárias, técnicas e científicas –; edições fora de mercado, produzidas por subscrição; edições de artista. Possui ainda livros, jornais, volantes, retratos, mapas, gravuras, partituras etc., que englobam desde itens sobre o Brasil, produzidos a partir do século XVI, a itens publicados no país ao longo do século XIX.

Sobre o acervo do Instituto Moreira Salles

O acervo do Instituto Moreira Salles inclui um importante conjunto de obras sobre papel que compõe uma iconografia brasileira do século XIX. São aproximadamente 2 mil imagens, entre desenhos e aquarelas, gravuras avulsas, livros de viajantes, álbuns de suvenir e mapas, que tiveram um papel importante na divulgação da então jovem nação brasileira no cenário mundial. Este conjunto reúne um grande número de artistas viajantes que retrataram o Brasil ao longo do século XIX.

Dos mais de 200 autores, entre pintores, desenhistas, gravadores e editores, encontram-se nomes caros a estudiosos da iconografia nacional, como Briggs, Cicéri, Martinet, Von Martius, entre outros, e autores pouquíssimo conhecidos, como Marguerite Tollemache e Franz Joseph Frühbeck, que permitem ampliar os estudos sobre o período. Acrescidas de alguns desenhos atribuídos a Debret e aos pintores ingleses William John Burchell e Henry Chamberlain, compõe o Highcliffe Album, um conjunto de desenhos e aquarelas que representam com esmero as paisagens, a arquitetura e os costumes do Brasil imperial.

Sobre o acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo

A coleção da Pinacoteca é a mais jovem das quatro instituições. Começou a ser formada em 2007, quando a instituição recebeu importante doação da Fundação Estudar, e hoje soma cerca de 500 obras. Entre as preciosidades que contém, além dos já citados, estão o óleo sobre telaRio de Janeiro (1844), de Alessandro Ciccarelli, e Revista das tropas destinadas a Montevidéu, na Praia Grande (c. 1816), óleo sobre cartão colado sobre tela, de Jean Baptiste Debret, uma das primeiras pinturas de Jean Baptiste Debret, realizada no ano de sua chegada ao Brasil.

Sobre o acervo da Coleção Olavo Setubal

Um dos maiores acervos corporativos de memória histórica e visual brasileira, formada por iniciativa de Olavo Setubal, a Brasiliana Itaú soma 2.529 itens, desdobrados em cerca de 5 mil iconografias – de pinturas do Brasil holandês até as primeiras edições dos mais conhecidos álbuns iconográficos produzidos durante o século XIX sobre o país. Contém, ainda, livros de artistas ilustrados do século XX, obras de arte, objetos, cartografias, documentos manuscritos. Com publicações datadas dos séculos XVI ao XX, muitas trazem relatos de viajantes estrangeiros que se aventuraram pelo Brasil em busca de riquezas e glórias, verdadeiras ou imaginárias.

 

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