Hackaton 2015 celebra “O Museu do Século XXI” e atrai jovens museólogos

Grupos trabalhando no Hackaton 2015, Museu de Arte do Rio. Foto:  Rafael Barretto.
Grupos trabalhando no Hackaton 2015, Museu de Arte do Rio. Foto: Rafael Barretto.

Entrevista com Ivan Luiz Ramos Pinto, da Gerência de Cultura e Arte – Firjan, sobre o Hackaton 2015: O Museu do Século XXI, um evento de tecnologia que – surpresa boa – saudou a área de museus em outubro de 2015, no Museu de Arte do Rio.

A maratona hacker juntou jovens de diferentes áreas, inclusive da Museologia. O primeiro e o segundo lugares tiveram a oportunidade, logo depois, de mostrar os projetos vencedores no Museums Showoff do dia 28 de outubro, no Oi Futuro.

  1. O que é o hackathon e como surgiu a proposta vinculada aos museus?
    Um “hackaton” ou “hackathon” (de hacker marathon ou maratona hacker, também conhecido como codefest, hack day e hackfest) é um evento no qual pessoas se reunem em grupos multidisciplinares (artistas, inventores, designers, programadores, jornalistas etc.) e  colaboram intensivamente em determinados projetos de software e hardware com um tema em comum. A duração pode variar de algumas horas a semanas, dependendo da proposta do patrocinador.
    O hackathon proporciona um ambiente divertido e desafiador, onde inovações radicais e idéias criativas são as ferramentas essenciais. Essa competição fez parte da programação do festival SESI Cultura Digital, um evento de arte e tecnologia que está em sua terceira edição. Os desafios tecnológicos que os museus enfrentam atualmente foram a principal motivação para a decisão de realizar o evento com esse tema, “o museu do século XXI”.
  2. Quantos inscritos vocês tiveram? Houve inscritos que trabalham em museus?
    Tivemos cerca de 80 inscrições esse ano e devido ao tema, pessoas ligadas à Museologia participaram da competição, principalmente estudantes e pesquisadores.
  3. Como os grupos trabalham durante o evento?
    No total foram 4 dias. Os dois primeiros dias foram voltados para as mentorias, onde os competidores participaram de minicursos com especialistas de diversas áreas. O desenvolvimento dos projetos aconteceu nos dois dias restantes e os grupos puderam contar com a orientação de facilitadores que estiveram disponíveis ao longo de todo o hackathon. Ao final do último dia, cada grupo teve 5 minutos para apresentar o projeto ao juri.
  4. Quais foram os resultados? Que tipo de soluções foram propostas?
    Os resultados foram muito interessantes. As soluções propostas tiveram como pontos em comum a possibilidade de proporcionar uma experiência diferente e estimulante para o público dos museus e a necessidade de fornecer um acesso mais ágil e interativo às informações das obras ou exposições.
  5. Grupo vencedor. Foto: Rafael Barretto.
    Grupo vencedor. Foto: Rafael Barretto.

    E quem ganhou?
    O grupo vencedor tinha quatro membros: Wanderson Trindade Vitorino,  Igor Souza Franco de Almeida, Helder Nazaré Câmara e Vinícius Soares Silva de Souza. Eles desenvolveram um projeto chamado “MAR para pequenos artistas”, voltado para tornar a experiência das crianças no museu mais interessante. Eles criaram um aplicativo que oferece interações artísticas e educativas, como por exemplo,  a possibilidade de “pintar por cima dos quadros” em exibição no museu e compartilhar o trabalho feito através das redes sociais. As crianças adoraram, se divertiram e ficaram instigadas com a ferramenta. Importante dizer que todos os projetos desenvolvidos no hackathon são open source e estão disponíveis para consulta no GitHUB, um repositório de códigos cujo acesso é aberto ao público.

  6. Como vocês acham que este evento pode inspirar a cena museal brasileira?
    O hackathon é um evento que vai ao encontro do conceito de inovação distribuída. Os usuários fornecem ideias e conteúdos para aperfeiçoar o serviço e quanto mais usuários, mais impulso há para os serviços. A organização, por sua vez, não impõe um controle centralizado, visto que a inteligência não reside no seu centro, mas na periferia. Na inovação distribuída, o destaque está na criação coletiva para uma finalidade, mas que pode ir além do esperado, uma vez que as redes de criação não estão limitadas às fronteiras físicas ou intelectuais. Portanto, eu acho que a cena museal brasileira tem muito a ganhar com a adoção desses processos, principalmente se considerarmos os enormes desafios que os museus têm pela frente, seja na gestão, seja no relacionamento com o público.
  7. Algum desdobramento futuro desta ação, vinculado aos museus?
    Estamos divulgando os projetos em nossos canais de relacionamento externos e internos, buscando possíveis parceiros que se interessem por apoiar a implementação dos mesmos.

Separador

Ivan Luiz Ramos Pinto é produtor cultural, organizador e curador do festival SESI Cultura Digital.

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