O papel dos museus junto aos refugiados sírios

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Com a crise na Síria e a quantidade abissal de refugiados espalhando-se pela Europa e demais países do mundo (inclusive aqui, no Brasil), venho perguntando em vários grupos online de museólogos se eles acham que os museus poderiam (ou deveriam) ajudar de alguma forma os refugiados.

Perguntei no Facebook, no Twitter, no LinkedIn, várias vezes, em português e inglês. Perguntei a museólogos e a outros profissionais de museus. Perguntei, nominalmente, a um famoso museólogo, que advoca pela Museologia Social – ele silenciou.

Hoje mais cedo, perguntei a Hugues de Varine, homem de museu daqueles que não só pensam e falam, mas fazem. Abaixo, a pergunta e a resposta, tudo em português mesmo, pois De Varine é fluente nessa língua. Concordo em gênero, número e grau com suas observações e fico particularmente feliz com o modo tranquilo, acessível e rápido com que ele me respondeu.

Agradeço a ele profundamente e aproveito para propor a questão a você, pessoa que me lê neste momento:

Acha que os museus têm um papel a cumprir na crise dos refugiados sírios?

Resposta de Hugues de Varine: “Como polo de mobilização territorial, acho que o museu pode sensibilizar a comunidade, dar meios de expressão a grupos de solidarirdade e, depois da chegada de refugiados, ofrecer serviços de inclusão cultural e patrimonial, sem esquecer a valorização da memoria e da cultura viva dos proprios refugiados. Isso pode ser aplicado a todos tipos de “novos habitantes”, mas a urgência do acolhimento dos refugiados sirios (e outros, afgãs, iraqis, etc.) obriga o museo a reforçar suas actividades de solidarirdade e a assumir uma liderança (se não ha outros atores locais mais legitimos por este problema). Mas todo depende da credibilidade do museu no seu territorio e dentro da sua comunidade.”

NOTA: Pedi, é claro, permissão a De Varine para divulgar a resposta. Ele a concedeu, pedindo para lembrar que essa é apenas sua opinião pessoal, já que ele não tem nenhuma responsabilidade operacional numa instituição, e que “iniciativas ligadas a uma atualidade tão quente são mais fáceis na teoria que na pratica!”

 

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