Entrevista com Bruno Brulon, Coordenador do Curso de Museologia da UNIRIO

Como sabem, de tempos em tempos entrevisto pessoas-chave da área dos museus e da Museologia, no Brasil e no exterior. Vocês podem vê-las aqui.

Desta vez, entrevistei o Coordenador do Curso de Museologia Integral da UNIRIO, Bruno Brulon Soares, sobre a história, o pensamento e o andar da Escola atualmente. Veja aí:

Bruno Brulon1. A Escola de Museologia da UNIRIO foi a primeira do gênero no Brasil. Quantos museólogos, aproximadamente, foram formados até hoje?

Segundo levantamento recente realizado pelos pesquisadores ligados ao Núcleo de Memória da Museologia no Brasil – NUMMUS, coordenado pelo professor Ivan Coelho de Sá, desde a primeira turma graduada em 1933 no Curso de Museus do Museu Histórico Nacional, até o primeiro semestre de 2014, na UNIRIO, são 1.058 formandos.

2. Como o curso vem acompanhando as mudanças dos museus contemporâneos, que hoje vêm sendo geridos por OS, preocupam-se com sustentabilidade e precisam relacionar-se intensamente com a tecnologia?

Desde os anos 1990 até o presente, o Curso de Museologia da UNIRIO é precursor ao discutir, em disciplinas específicas, as questões relacionadas aos novos formatos de museus, à sustentabilidade e ao meio ambiente, bem como as relações que se intensificam em função das novas tecnologias de comunicação e informação. Esta não é exatamente uma realidade nova do ponto de vista dos professores do Curso, visto que já estavam bem marcadas quando foram assimiladas na Reformulação Curricular de 1996, cujo projeto foi coordenado pelas professoras Tereza Scheiner, então diretora da Escola de Museologia, e Maria Gabriella Pantigoso. No currículo pensado para o Curso, disciplinas específicas tratariam desses assuntos assimilados aos conteúdos de Teoria Museológica bem como naquelas voltadas para a administração de museus. Desde então, a relação com as questões contemporâneas que tocam o campo dos museus e da Museologia no Brasil e no exterior passam a ser olhadas a partir do ponto de vista museológico especificamente. Intensificam-se, também nessa década, as abordagens interdisciplinares sobre certos conceitos e questões que não são percebidas num primeiro momento como particulares da Museologia. Com o propósito claro de formar museólogos aptos a lidar com esses objetos “híbridos” – como a própria noção de, “sustentabilidade” mencionada – foram introduzidas ao currículo do Curso disciplinas introdutórias a outras áreas do saber, como a Ecologia, a Antropologia, a Filosofia e a Ciência da Informação.

3. Qual o perfil do estudante de Museologia atual da Escola, em comparação com o passado, quando não havia tantos cursos de graduação na área em todo o país?

Como a única Escola de Museologia no Rio de Janeiro, o perfil do egresso não se alterou muito com a criação dos demais cursos do país. A variação que se pode apontar mais claramente é com a introdução de um novo perfil com a criação, em 2010, do Curso de Museologia noturno na UNIRIO. Este Curso novo, que ainda não formou nenhuma turma, permitiu a entrada para o bacharelado em Museologia de alunos que por vezes já têm uma profissão, e logo que já vêm de uma outra área de conhecimento, ou que atuam em áreas correlatas que dialogam com a Museologia. Por outro lado, a criação do Curso noturno também permitiu que parte dos alunos do Curso integral pudessem cursar disciplinas no turno alternativo da noite, aumentando a atuação dos nossos egressos em atividades práticas como extensão e estágios não curriculares. Em ambos os Cursos de Museologia da UNIRIO busca-se formar um museólogo apto a interpretar o Museu em suas múltiplas facetas e formas de expressão nas mais variadas sociedades, atuando nos campos da Museologia e do Patrimônio de maneira ampla, no planejamento, formulação, gestão, execução, acompanhamento, assessoria e consultoria de projetos e políticas culturais vinculados ao patrimônio natural e cultural, tangível e intangível. Tendo como base uma formação geral na área das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas e como estrutura uma formação específica em Museologia, o Curso de Graduação em Museologia deve qualificar bacharéis capazes de desempenhar, fundamentalmente, atividades de Preservação e Conservação, Pesquisa, Documentação e Informação, Comunicação, Administração, Políticas e Projetos Culturais. Assim, a criação de novos cursos de Museologia no país tem enriquecido as trocas de conhecimento e experiências que se intensificaram entre os nossos alunos e os de outras universidades e regiões do país. Por exemplo, nós recebemos cada vez mais estudantes de outros cursos que buscam na UNIRIO, por meio de mobilidade acadêmica, a possibilidade de realizarem parte da sua formação nos cursos da nossa universidade. No próximo ano já temos alunos de pelo menos três outras universidades do Brasil que virão cursar um semestre letivo na UNIRIO, e todos ressaltam a excelência do nosso ensino e a riqueza da multiplicidade de visões sobre a Museologia que são características do Curso mais antigo do país.

4. A formação oferecida pelo curso da UNIRIO dá ênfase a alguma área específica da Museologia?

Uma das características centrais dos Cursos da UNIRIO é a multiplicidade de abordagens e visões sobre a Museologia, o que é apontado com frequência tanto por professores quanto por alunos de dentro e de fora desta Universidade. A vantagem de sermos o “Curso mais antigo” é justamente essa possibilidade de agregar diferentes perspectivas, o que se configura por um corpo docente múltiplo com profissionais reconhecidos por sua produção teórica e prática em diversas correntes da Museologia teórica e nas suas diversas aplicações à prática. Como consequência, o que há de particular na Museologia da UNIRIO é a possibilidade de uma formação reflexiva e crítica sobre a própria disciplina, o que é possível a partir do contato dos estudantes com essas vertentes de pensamento distintas. Neste sentido, buscamos formar profissionais com autonomia para pensar, e para escolher que caminho percorrer ou qual ênfase dar em sua atuação na área.

5. A Escola desenvolve programas de cooperação com museus, empresas ou instituições, inclusive estrangeiras, com o intuito de aprimorar a qualidade dos futuros profissionais? Em caso positivo, poderia citar um exemplo?

Temos convênios estabelecidos com diversas instituições, através da própria estrutura da UNIRIO, que são renovados com periodicidade e que permitem o contato dos alunos com a prática dos museus do Rio de Janeiro por meio de estágios ou atividades de extensão. Além disso temos diversas parcerias institucionais com outras universidades conveniadas à UNIRIO que realizam intercâmbios de alunos. Em relação a essas mesmas universidades a UNIRIO, historicamente, mantém laços com seus docentes ao convidá-los para aulas inaugurais, conferências e palestras nos eventos organizados pela Escola de Museologia, além da participação de muitos deles em nossos projetos de pesquisa. Em relação a instituições estrangeiras, para além dos convênios tradicionalmente estabelecidos pela UNIRIO, há diversas portas se abrindo nesse momento em termos de parcerias diretamente com a Escola. Recentemente, por iniciativa das próprias instituições, a Escola de Museologia foi procurada para dialogar sobre a possibilidade de parcerias com a Reinwardt Academie de Amsterdã, e a tradicional École Nationale des Chartes, em Paris. Tradicionalmente, a Escola tem reconhecimento internacional, tendo recebido diversos professores e pesquisadores de centros acadêmicos renomados em todo o mundo.

Visite aqui o site do Curso de Museologia da UNIRIO

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