Brasileira vence concurso de melhores práticas em Educação Museal

O CECA – Comitê para Educação e Ação Cultural, do ICOM, acaba de divulgar os vencedores da terceira edição do prêmio “Best Practice” (Melhore Prática), com uma brasileira entre os vencedores.

  • Stefan BRESKY, Alemanha
  • Annemies BROEXGAARDEN, Holanda
  • Catherine GUILLOU, França
  • Paula SELLI, Brasil, com o projeto “Bebês no Museu”
  • Ernesta TODISCO, Itália

Paula trabalha na Ação Educativa do Museu Lasar Segall, em São Paulo, e é coordenadora do projeto “Mães e Bebês”.

Poucos museus têm programas voltados para os primeiros anos (ou meses) de vida. No Rio de Janeiro, o Museu Naïf é um deles.

Foto publicada no Facebook da Ação Educativa Museu Lasar Segall

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2 comentários

  1. Hatima, reproduzo abaixo a resposta mais elaborada, que pedi ao Museu de Arte Naïf sobre o assunto: “Oi Claudia,
    Na nossa proposta os bebês ganham um tempo de qualidade com seus pais e famílias, tem a chance de interagir com outros adultos e bebês, participar de atividades sensoriais propostas para despertar os cinco sentidos. Todas as atividades são desenvolvidas pensando no bem estar dos bebês e suas famílias, boas práticas de paternagem (parenting skills) são compartilhadas e aprendidas, a linguagem oral é naturalmente estimulada através dos comentários e observações das obras que os pais fazem e os bebês balbuciam, o olhar dos bebês é direcionado para uma cor, um detalhe, uma figura, os pais e cuidadores tem a oportunidade de aprenderem sobre a confecção de brinquedos utilizando materiais recicláveis, novas maneiras de interagir com seus filhos, um jeito diferente de segurar no colo, um balancinho que acalma choro, uma música que inspira. Os pais se encantam com a descoberta dos filhos e esse encantamento contribui para o fortalecimento do vínculo mãe/pai-bebê, reconhecer seu filho como um ser pensante, curioso e cultural, é contribuir para o desenvolvimento de uma percepção positiva dele sobre ele mesmo, o colo e o aconchego necessários para o passeio (carrinhos ficam na varanda) são estruturantes. Obviamente, tudo isso pode e deve ser feito em outros espaços sociais, na praça, na casa dos avós, no parque… Mas porque não no museu também? O MIAN tem como missão ser uma praça de trocas e fazer parte da vida de seus visitantes.
    O museu é um espaço de cultura autêntica e quando ele se propõe a receber o público de 0-2 anos com atividades pensadas para eles, ele está ampliando o universo de experiências e sensações aos quais os nenéns são normalmente expostos. O MIAN é um museu pequeno, recebe luz natural, tem arte muito colorida e os bebês são naturalmente atraídos pelo contraste das cores das telas, tem espaço para engatinhar, a circulação de pessoas é limitada, o chão é limpo antes de cada sessão. A educação infantil e a neurociência tem feito cada vez mais descobertas sobre o desenvolvimento emocional, cognitivo e social de bebês de 0 -3 anos, e apesar de não ser nosso objetivo fazer qualquer tipo de estimulação, é inegável que a experiência é muito prazerosa para os pequenos e são essas sensações que ficam na memória afetiva deles, começando talvez um relacionamento com museus e centros culturais que vai durar por toda sua vida, e então fica a pergunta, qual o benefício de se frequentar museus e centros culturais?
    Porque não começar esse relacionamento desde cedo? Não será melhor despertar, criar o hábito o costume de ir a museus, ao invés de passear no shopping? Participar de uma experiência real, sensorial e estética, ao invés de uma virtual? (nada contra, mas agora depois do advento dos ‘handheld devices’ as comunidades médicas e científicas dos países desenvolvidos estão chegando a conclusão de que devem ser evitados até os 12 anos) despertar a curiosidade natural dos bebês? A educação através do objeto, muito em voga hoje em dia, acontece naturalmente nos museus que expõe os mais variados e diferentes objetos.
    Enfim, os relatos dos pais, a alegria dos bebês, o fortalecimento dos vínculos familiares, a descoberta de novas opções de lazer, o encantamento provocado pelas telas, tudo tem sido tão positivo que temos motivos para acreditar que museus e bebês são uma combinação que ainda vai render muito pano para manga!”

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