Jornalista e acadêmico colombiano diz que museu é instrumento de transformação social

Reproduzo abaixo texto de Ingrid Boiteux para a Approach Comunicação, sobre a palestra de Jorge Melguizo na Conferência Geral do ICOM no Rio de Janeiro:

Em conferência nesta terça-feira, Jorge Melguizo colocou em debate novos conceitos e modelos de museus

De Medellín – que já foi um dos lugares mais violentos do mundo e, em 15 anos, foi capaz de reescrever sua história -, para o Rio de Janeiro, o professor Jorge Melguizo chegou à Cidade das Artes para participar da 23ª Conferência Geral do Conselho Internacional de Museus (ICOM). Melguizo contou sua experiência na cidade colombiana e questionou a estrutura dos museus de hoje, que, segundo ele, precisam aderir a um discurso próprio, que fuja das histórias oficialmente relatadas a fim de, em vez de certezas, provocar no público dúvidas e questionamentos.

O colombiano, também diretor da Cátedra Medellín, em Barcelona, explica que as instituições precisam se preocupar mais com o que o público sente ao sair do museu do que com a experiência museológica em si. “Cultura não é o que mostramos ou o que produzimos, mas o que geramos, as reflexões que somos capazes de suscitar nas pessoas”, afirma.

Melguizo colocou em debate os novos conceitos e modelos de museus, que atualmente vivem uma “ditadura estética” em que apenas as belas artes predominam e gêneros como o grafite são excluídos das grandes instituições museológicas. Foram abordados também temas como a conversão dos espaços de exibição em centros de gestão de projetos culturais, o papel do museu na formação do cidadão e a inserção de discursos políticos nos projetos de arte.

Entre outras ideias promovidas por Jorge Melguizo estão questões relacionadas ao trabalho de curadoria. “Os curadores precisam matar a arte e, dessa forma, tornar-se comunicadores e se apropriar da cultura. Eles precisam conhecer melhor o entorno do museu, com quem estão falando, pois hoje conhecem mais as coleções que as pessoas”, diz.

A 23ª Conferência Geral do Conselho Internacional de Museus (ICOM) segue até domingo, 17, sob o tema “Museu (Memória + Criatividade) = Mudança Social”, incentivando a apresentação das inúmeras ideias e experiências pautadas na criatividade que tem valorizado o patrimônio cultural, destacando o papel transformador dos museus por meio da memória social – campo na qual o Brasil se afirma como pioneiro e fomentador.

Sobre a Conferência Geral do Conselho Internacional de Museus (ICOM)
Realizado em um país diferente a cada três anos, a Conferência Geral do Conselho Internacional de Museus (ICOM) conta com a participação de mais de 2.000 profissionais da área. Os 31 comitês internacionais da instituição estão reunidos no Rio de Janeiro, na Cidade das Artes, para uma série de encontros que debaterão os novos rumos da museologia no mundo.

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