Acervos documentais na nuvem – a web e o que ela pode fazer por você

No último dia 1o de abril, assisti a uma ótima palestra do ciclo Memória & Informação, promovido pela Fundação Casa de Rui Barbosa, com o título O armazenamento de documentos arquivísticos digitais na nuvem: Cloud Computing. O palestrante foi o Prof. Dr. Daniel Flores, docente do Mestrado Profissional em Patrimônio Cultural/UFSM, coordenador do Laboratório de Documentos Digitais/LDD e de Preservação Digital/LPD/CCSH, e membro presencial da CTDE – Câmara Técnica de Documentos Eletrônicos do CONARQ/Arquivo Nacional.

O professor apresentou a pesquisa que vem realizando e que tem por objetivo:

  • Analisar a amplitude da computação na nuvem na gestão de documentos digitais
  • Identificar as ferramentas para o armazenamento de documentos digitais na nuvem
  • Identificar soluções em software livre para a implementação própria de computação na nuvem.

Por nuvem, subentenda-se um formato de computação no qual aplicativos, dados e recursos de TI são disponibilizados online aos usuários como serviço, e pagos de acordo com o uso. Para isso, compartilha-se a memória, a capacidade de armazenamento e de processamento de servidores que não estão fisicamente na sua casa. O Gmail é um exemplo de serviço na nuvem; o Dropbox, também.

Daniel Flores não faz apologia da nuvem. Ela vem para aprimorar o trabalho de gestão e da preservação dos acervos, certamente, mas não pode ser vista como panaceia. Há questões de segurança (ataques de hackers, perda dos dados), de legislação (se a nuvem for contratada a uma empresa privada fora do país, por exemplo) e até financeiras: muitas empresas oferecem gratuitamente um determinado espaço em servidor, mas começam a cobrar a partir de um certo volume; quando não há uma avaliação correta por parte da instituição sobre o espaço necessário para armazenar toda a coleção no servidor, pode acontecer de, a meio do trabalho, descobrir-se que o preço (literalmente) é alto demais. Nesse caso, dependendo do tipo de contrato, a instituição acaba refém da empresa.

De modo geral, porém, a nuvem oferece inúmeros benefícios. Permite uma gestão ágil do acervo, facilita a inclusão de dados e, sobretudo, permite a consulta e o acesso como nenhuma outra opção o faz. Isso sem falar no fato que, se o serviço for contratado fora, economiza-se em infraestrutura (computadores, servidor) e pessoal (técnicos especializados).

Mas, para Daniel Flores, o melhor modo de utilizar o cloudcomputing – sobretudo se o acervo for de grandes proporções – é criar uma nuvem na própria instituição. Porém, se o acervo for pequeno ou não houver a possibilidade de se adquirir e manter a infraestrutura e a equipe necessárias, a opção de contratação da nuvem a um terceirizado é perfeitamente válida.

Você encontrará mais informações no pdf da palestra, que o professor gentilmente colocou à disposição – na nuvem, claro.

E por que estou aqui falando deste assunto? Porque a palestra na Casa de Rui contou com inúmeros arquivistas (parabéns para eles) e poucos museólogos. Precisava ter havido mais. Os museólogos e profissionais ligados aos museus no Brasil precisam conhecer melhor o que a web pode lhes oferecer. Em 2013, vivemos a web 4.0, a era do cloudcomputing, mas os museus brasileiros ainda engatinham na web 1.0 (aquela do site estático, que não permite interação). Vamos mudar isso?

Para saber mais:

  • O Prof. Dr. Daniel Flores disponibilizou sua palestra para consulta. Para acessá-la, clique no link: Palestra Dr Daniel Flores (pdf de 3,05 MB)
  • A Casa de Rui disponibiliza suas palestras online. Se quiser vê-las todas, visite a seção Memória & Informação.
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