nota O novo Louvre-Lens

The Louvre-Lens Museum will showcase artworks from throughout history.

A cidade de Lens fica no norte da França, numa região de minas de carvão. Está, há décadas, em decadência.

Mas, desde o fim do ano passado, Lens tem mais confiança no futuro. Isso porque o Museu do Louvre abriu ali seu primeiro museu-satélite, nos moldes do Guggenheim de Bilbao e do Centro Pompidou em Metz.

O projeto arquitetônico para a área de 28.000m2 (6mil de ára construída) é do escritório japonês SANAA. Todas as obras expostas vieram do Louvre. O acervo inicial deve ficar em exposição por cinco anos, com rotação anual de cerca de 20% das obras.

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A esperança é que o museu traga novos ventos para a economia da sonolenta Lens, gerando novos empregos, fluxo turístico e o ressurgimento de toda uma cadeia produtiva na região.

Mas uma das primeiras notícias depois da inauguração do Louvre-Lens foi não foi positiva: no dia 7 de fevereiro, uma mulher de 28 anos danificou a famosa pintura “Liberdade Guiando o Povo” (1830), de Delacroix, escrevendo com pilot na parte inferior da tela.

Por sorte, a mulher foi retida ainda com o marcador na mão, o que permitiu aos conservadores identificar o melhor solvente e restaurar a pintura rapidamente.

O assunto, porém, virou manchete de jornais no mundo todo e gerou uma série de perguntas no meio cultural:

  • Por que a obra não tinha vidro de proteção?
  • Não havia vigias na sala? E, se havia, por que eles não previram a ação da mulher?
  • Deve-se priorizar a máxima proteção de obras desse porte, mesmo que isso represente uma significativa diminuição da intensidade da relação entre o público e o objeto?
  • Que meios teriam previsto e impedido a ação da mulher em tempo? Por que eles não foram previsto pela equipe do Louvre-Lens?

Talvez a própria “Liberdade” de Delacroix aponte para uma resposta. Porque, ao agitar a bandeira francesa de pé sobre tantos corpos, ela nos lembra que é, às vezes, é impossível alcançar grandes ideais sem sofrer algumas baixas pelo caminho.

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