Estudantes de Museologia protestam no V Fórum de Museus

Estive no V Fórum Nacional de Museus promovido pelo Ibram em novembro de 2012 em Petrópolis, RJ.

Poucas vezes – em nível nacional, pelo menos – vi um evento tão bem organizado e profícuo. Bons palestrantes, bons professores (havia vários mini-cursos), gente com muita e com pouca experiência trocando ideias e opiniões. Sobretudo, sangue novo circulando nos corredores do Palácio Quitandinha, o que é fundamental se queremos uma Museologia mais criativa, proativa e dinâmica no Brasil.

Mas este post não é sobre o Fórum e sim sobre um protesto que chamou a atenção de todos durante o evento. Alunos de todo o Brasil se organizaram no V Encontro Nacional dos Estudantes de Museologia – Enemu. Redigiram uma carta, distribuída aos participantes do V Fórum de Museus e, mais tarde, fizeram um protesto silencioso, com cartazes (foto abaixo) durante o discurso da Ministra da Cultura, Marta Suplicy.

V Forum 2012 -Protesto estudantes

A carta enumera os problemas da Museologia no país na visão dos estudantes, em termos políticos, de mercado, qualidade de ensino etc. Como acredito que toda a ideia deve ser ouvida (desde que seja dita educadamente e tenha, pelo menos, alguma utilidade), reproduzo abaixo o documento do Enemu, com os votos de que ele não seja visto por nós, museólogos, como uma crítica vazia e inoportuna, e sim como uma oportunidade para o aprimoramento de cursos, instituições, museus e profissionais, em todo o país.

Eis a carta, na íntegra:

V Enemu – Petrópolis – Novembro de 2012

Carta de apresentação para o 5º Fórum Nacional de Museus

         Em primeiro lugar, gostaríamos de agradecer ao IBRAM – Instituto Brasileiro de Museus – por todo o apoio dado ao V Encontro Nacional dos Estudantes de Museologia – ENEMU.

         Nós, discentes de Museologia organizados no V ENEMU realizado em Petrópolis – RJ, pretendemos através desta carta apresentar demandas e possíveis resoluções. Acreditamos que o IBRAM como autarquia e gestora do campo de políticas de museus, também é capaz de propor meios de educação mais adequados aos estudantes, haja que, promovendo o diálogo entre Universidades, Conselhos, Instituições, Secretarias, dentre outros, alcançaríamos o objetivo de se fazer com êxito uma formação acadêmica condizente as necessidades requeridas pela ética profissional e pelo estatuto de museus.

         Como resultado de um diálogo ocorrido no V ENEMU, foram levantadas problemáticas dos cursos de graduação em Museologia, como inexistência de espaços físicos adequados, falta de laboratórios para o exercício da prática museológica, insuficiência de professores especializados, péssimas perspectivas no mercado de trabalho, ausência de participação por parte do COREM e COFEM em debates que envolvem a construção política e ética do futuro profissional museólogo, na medida em que ambos são órgãos que regulamentam a profissão aqui debatida. Vemos claramente uma falha em relação ao ENADE, analisando a necessidade de sua aplicação nos cursos de Museologia. Visando a melhoria na qualificação dos professores, colocamos em foco questões relacionadas à prática docente que possibilitem aos futuros profissionais que sigam a área acadêmica.

         Em função das questões aqui levantadas, solicitamos aos órgãos competentes uma atenção especial ao curso de Museologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), pois desde sua criação no ano de 2009, continua inerte. Até o presente momento, o curso não foi implantado, já que não houve concurso para professores da área e tão pouco foram providenciados espaço físico e laboratórios para as disciplinas de caráter prático. Atualmente, o Ministério Público Federal conduz um inquérito civil sobre a situação do curso; bem como o COFEM solicitou à universidade que os professores que estavam ministrando conteúdos específicos de museologia, sem serem museólogos, fossem afastados da sala de aula. A partir da constatação da realidade enfrentada na Museologia da UFSC, é importante que se reflita sobre que tipo de profissionais se formarão nesses cursos novos, visto que este não é o único que apresenta tais problemas.

         Considerando a Mesa Redonda de Santiago do Chile, a Resolução 169 da Organização Mundial do Trabalho, a Declaração de Durban, o artigo 215 e 216 da Constituição Federal, a Declaração dos Direitos Humanos, o Plano Setorial de Museus e a Carta das Missões, solicitamos ao IBRAM que apoie a memória e o patrimônio de povos originários, como por exemplo, os atingidos pela futura hidroelétrica de Belo Monte. Sendo no total 31 povos indígenas e diversas outras comunidades tradicionais que lutam para que as 11 ações civis públicas sejam julgadas, e que principalmente os povos indígenas sejam consultados, pois estão sendo ameaçados em nome dos mega-eventos, como a Copa do Mundo 2014 e as Olimpíadas 2016. Pedimos também, a perpetuação, ampliação, autonomia, descentralização e fomento ao Programa Pontos de Memória e as Redes dos Pontos de Memória e Iniciativas Comunitárias, espalhados pelo Brasil, bem como, a ampliação do departamento de Museologia Social e que ele não seja suprimido e/ou extinto das políticas públicas, uma vez que muitos avanços vêm sendo conquistados em prol das comunidades.

          Agradecemos a atenção dos que aqui estão presentes, principalmente, dos órgãos que têm relação direta ou indireta à nossa área. Ressaltando que temos grandes expectativas de que as devidas ações sejam tomadas em relação às problemáticas apresentadas por este coletivo estudantil.”

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