Leilão de arte beneficente? Melhor passear no shopping

Dia 19 de abril fomos a um leilão na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. O evento foi organizado pela Associação de Amigos da Escola, com obras doadas por artistas e galeristas. O objetivo era arrecadar dinheiro para ajudar a EAV, que precisa investir – e muito – em pessoal, equipamentos, restauração, reformas e tantas outras coisas.

Para colecionadores foi uma oportunidade e tanto. Ao lado de vários bons, novos artistas, ali estavam trabalhos de gente mais do que consagrada – como Thereza Miranda, Cildo Meireles, Roberto Magalhães e Barrio.

O leiloeiro Evandro Carneiro criou um ambiente descontraído e atento. O público, volta e meia, se empolgava e aplaudia – por exemplo, quando uma gravura da série “Metro”, de Cildo, alcançou R$ 10.800,00, de longe o mais alto valor da noite.

Não sei se o resultado foi o esperado pela diretora, Cláudia Saldanha, mas eu, pessoalmente, achei pouco o total arrecadado.

Naquele dia, antes de tomar o meu lugar no Salão Nobre da Escola, fiquei imaginando que o leilão estaria cheio de empresárias e empresários brasileiros modernésimos, cultos e descolados, aproveitando a noite de quinta-feira para engrandecer suas coleções particulares e, ao mesmo tempo, deixar um pouco do seu dinheiro numa escola que teve e tem um papel extremamente relevante na História da Arte brasileira.

Nada disso. O leilão começou bem cheio, mas pouca gente se aventurava. Um Scliar, por exemplo, foi vendido por apenas R$ 600,00 (sic); houve obras que nem tiveram lance.

O povo com dinheiro do Rio de Janeiro devia estar no Gero, na Louis Vuitton ou nos corredores do Fashion Mall, comprando o quinquagésimo par de sapato ou a terceira garrafa de Romanée-Conti.

Fotos: Obras de Tina Velho e Elizabeth Jobim, vendidas no dia.

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