Vivendo (a escola) no Vermelho

Em março deste ano, a galeria Graphos: Brasil, em Copacabana, apresentou sua primeira coletiva.

Girando em torno da cor vermelha, a curadoria do marchand Ricardo Duarte reuniu cerca de 60 obras de 19 artistas, de técnicas, estilos e objetivos inteiramente diversos.

Havia objetos, colagens, cartazes, pinturas, estandartes bordados na China na 2a. metade do séc. XX e cerâmicas. Entre os artistas, Felipe Cardeña, da Espanha (Lênin entre flores, abaixo), anônimos chineses com seus cartazes divulgando o regime maoísta (também abaixo), o inglês Roussel Young (Mick Jagger, abaixo), e Rodrigo Torres, artista carioca.

Foi uma experiência inesperada ver toda aquela cor carregada de vivências, de História, de modos de ver, criticar e sonhar. Tudo isso num pequeno espaço no segundo andar de um shopping feioso, que em geral é mais visitado por decoradores e colecionadores (explica-se: escada acima é que se encontram lojas e mais lojas de antiquários, móveis modernistas e infinitos bricabraques).

As aulas de artes das escolas, em vez de se limitarem às mesmas pinturas sem pé nem propósito feitas depois do professor mostrar um Picasso, deviam levar os adolescentes a exposições como essa, que são cheias de motivos para ótimos debates.

“Vivendo no Vermelho” poderia ter aberto diálogos interessantes sobre ditadura, consumismo, ideologia, religião. E sobre arte, claro. Uma exposição dessas, bem explorada pela escola, poderia inspirar futuros historiadores, psicanalistas e artistas.

Fica a ideia, para futuras aventuras.

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