Considerações sobre a Bienal do Livro

A Bienal do Livro, no RioCentro, lidou bravamente com 670 mil visitantes em 11 dias de funcionamento. E teve 2,5 milhões de livros vendidos. Considerando que o brasileiro não é muito de ler, foi um feito e tanto, e bastante promissor.

Estive nos espaços mais interativos, para ver se alguém trazia alguma coisa nova. Não vi muitas – as mesmas contações de histórias para crianças, alguns espaços que anunciavam “leitura online”, mas que eram mais propaganda e venda do que qualquer outra coisa… e os stands. É numa feira gigantesta dessas que a gente percebe como o mercado editorial deve ser competitivo. Quantas editoras. Não surpreende que haja histórias tão cabeludas contadas sobre o setor.

Mas vamos ao motivo deste post. Ao lado, dois dos stands de que mais gostei. Um deles era meramente cenográfico: criou uma floresta de árvores altíssimas, o efeito ficou muito lindo. O outro foi o estand da Secretaria de Cultura. O fio (da meada? condutor?) era o elemento-chave. Ele compunha os pufes para os visitantes se sentarem, com ele se escreviam palavras numa larga parede. Ele ligava os notebooks que permitiam acesso à internet. Interativo, barato e inventivo.

Outra experiência bacana, desta vez usando a tecnologia, foi a exposição da Biblioteca Nacional. Gestos do visitante faziam mudar as imagens projetadas nas telas. Estava bonito e algo didático (tanto quanto se pode esperar num evento desse tipo, acho).

Por fim: sobre a Maré de Livros, achei muito estardalhaço para nada. Dentro de uma lona plástica azul e verde, havia três ou quatro telas grandes que projetavam imagens de peixinhos e garrafas no mar. Era preciso estapear uma garrafa boiando para ver abrir-se uma “janelinha” que exibia uma frase, uma rima boba.

Não gostei. Garrafa no mar, hoje em dia, está mais para poluição do que para mensagem de náufrago. E tanta tecnologia só para a gente ler uma frase boba, que nem de escritor era (pelo menos as frases não tinham crédito…)?

Fiquei lá na Maré uns dez minutos, observando o comportamento das pessoas. Ninguém leu. Os jovens corriam de garrafa em garrafa batendo na tela só pela diversão. A Maré não estava para peixe.

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2 comentários

  1. Eu estive na Bienal e como você não curti o espaço Maré de livros, achei ridículo pra falar a verdade. Eles deveriam ter feito coisa mais interessante para as crianças. Adorei as árvores da Editora Ática, se não me engano, muito legal! Até escrevi na parede hehehe Achei divertido. O legal é ver as pessoas interagindo.

  2. Milena, obrigada pelo comentário. E também adoro dar um passo para trás e ficar observando as pessoas interagindo com o local e com a proposta. Se você for ver a aranha da Louise Bourgeios no MAM, veja a reação das pessoas, muito bom de assistir. Beijos,

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